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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Por um transporte bom e barato


Andar em transporte público não é um exercício de prazer, seja em Natal ou na maioria das cidades brasileiras. A eficiência do sistema não é digna de boas avaliações. O usuário não é estimado e nem se sente como prioridade. Na maior parte do tempo, o autorespeito leva os cidadãos à busca de um carro ou uma motocicleta, o que piora ainda mais o já sentido caos urbano.

Uma passagem de ônibus deveria ser bem mais barata que um litro de gasolina. Levando-se em conta apenas o custo do combustível, uma pessoa andando em um automóvel gastaria mais que o dobro do que em um transporte público; já no caso de duas pessoas, poderia ser um custo equivalente, o que é ultrajante - é necessário estímulo ao transporte coletivo, a começar pelo econômico.

Quando se fala pela primeira vez com veemência em respeito, meio ambiente, futuro e ambientalismo, tem-se uma administração que beira à unanimidade quando mal avaliada pela população. Muitos que economizavam tempo e dinheiro com as estações de transferência tiveram a vida dificultada com o bilhete estendido. Muitos trajetos em comum ultrapassam a possibilidade de uma hora, que não leva em consideração os engarrafamentos nos horários de pico, tão comuns em nossa cidade.

O projeto Via Livre não consegue atingir os seus objetivos. Qualquer passeio pelas ruas Jaguarari e São José, ou nas avenidas Romualdo Galvão, Afonso Pena e Antônio Basílio mostra o fracasso, seja pela ausência de fiscalização, má educação e falta de políticas de conscientização, ou até pela sobrecarga que hospitais e clínicas sem estacionamento acarretam. É, destarte, uma política de classe média que não atende às reais demandas do povo natalense.

Os mais abastados podem até fingir não ser com eles, mas acabam por pagar os custos do conforto, cristalinos em financiamentos, seguro, estacionamento, flanelinha, IPVA, viadutos, pontes, túneis, alargamentos de avenidas, IPTU ou mesmo do plano de saúde, por doenças respiratórias ocasionadas pela poluição.

Um projeto de distribuição dos novos trajetos de ônibus e alternativos foi prometido e houve compromisso em debatê-lo com a população, que aguarda sem paciência. A implantação dos BRTs, ou ônibus articulados, parece cada vez mais distante a cada licitação da Arena das Dunas que, em vexame, acaba adiada ad eternum.

Uma das alternativas que mais entusiasmou a todos, a fundação de um sistema de veículos leves sobre trilhos, que interligaria não só os bairros natalenses, mas também alguns municípios da Grande Natal à capital, acaba descartada pela Secretaria de Mobilidade Urbana. Os custos dos trilhos inviabilizariam essa alternativa, como se os afanosos reparos das vias urbanas não entrassem na equação.

O atual sistema de transportes, esgotado desde sua criação, na década de 70, causa arrepios ao povo natalense. Assim, da iniciativa do fórum contra o aumento das passagens, composto inicialmente por movimentos estudantis, surgem várias vozes contra os grilhões e descasos da administração municipal.

Agregando diversos movimentos sociais e suas bandeiras, como estudantes, professores, servidores da saúde e membros do sindicato de alternativos, organizam o dia municipal de paralisação, nesta quinta-feira, dia 24 de fevereiro, para mostrar o sofrimento de quem deveria ser razão primordial da municipalidade. O ato é previsto para às 8h, com concentração no viaduto do Baldo.

Muitos governantes parecem não se dar conta da força, união e poder dos cidadãos. A bem da verdade, exemplos recentes de movimentos e manifestações populares explodem pelo mundo, desde os Estados Unidos, sacudidos por funcionários públicos e estudantes em Winscosin, até mesmo em ditaduras como no Egito, Bahrein, Argélia, Iêmen, Marrocos e Jordânia. Os governantes, um dia, sempre aprendem que com o povo não se pode brincar.

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