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sábado, 2 de abril de 2011

Ditabranda: A Folha tem razão


“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

John Donne




Os militares dizem que agiam em defesa da família e dos bons costumes. Suas ações terríveis devem ser conhecidas e mantidas frescas nas memórias dos brasileiros.

Ó infelizes mortais...

Texto de Voltaire, declamado por Abujamra


Todo regime de Estado que assente os direitos democráticos individuais ao segundo plano de importância é uma demonstração de lascívia demoníaca e sordidez humana. O que espanta, em claro e total, não é a tipificação utilizada pelo jornal da família Frias, pelo pensamento hegemônico da mídia e pelos muitos que votam em Jair Bolsanaro e afins. Em verdade, este escrito é em espelho a todos que se espantam com a normalidade que é sentir pessoas defenderam a ditadura.

Deve-se lutar para que todo regime que cometa crimes contra a humanidade não seja reverenciado. Não existe crime contra a humanidade maior, nem menor. Toda pessoa que defender atos contra a humanidade deve ser tratada como se trata um apologista do nazismo, pois um mínimo ataque à humanidade atinge a todos. Temos que seguir o exemplo dos argentinos. Se não se pune quem cometeu os crimes, ficarão impunes e sorridentes quem os reverenciam.

O regime militar instaurado no Brasil foi com certeza uma Ditadura, para todos aqueles que se opuseram ao Regime. Quem sente o cravo e o chicote, quem sente a pele, o suor e as lágrimas é a prova do fato. Todo estado que perseguir, prender, torturar, seqüestrar e matar pessoas por questões ideológicas é uma abominável ditadura.

Em oposto, quem enxergou o sistema em vigor como um aliado não sentiu uma Ditadura. Tinham noção e certeza que muitos brasileiros sofriam ao gritar pelo desejo de democracia, mas o regime para estes era brando. Quem viveu à custa ou se beneficiou de um regime com crimes contra a humanidade foi ao menos um pouquinho conivente. O que dizer da mídia que é contra a abertura dos arquivos? O que será que há nesta caixa de pandora para que a mídia seja contra a verdade?

Relembrar é preciso:

"Editorial: Banditismo
[Publicado em 22 de setembro de 1971]
Octavio Frias de Oliveira

A sanha assassina do terrorismo voltou-se contra nós.

Dois carros deste jornal, quando procediam ontem à rotineira entrega de nossas edições, foram assaltados, incendiados e parcialmente destruídos por um bando de criminosos, que afirmaram estar assim agindo em "represália" a noticias e comentários estampados em nossas paginas.

Que noticias e que comentários? Os relativos ao desbaratamento das organizações terroristas, e especialmente à morte recente de um de seus mais notórios cabeças, o ex-capitão Lamarca.

Nada temos a acrescentar ou a tirar ao que publicamos.

Não distinguimos o terrorismo do banditismo. Não há causa que justifique assaltos, assassínios e seqüestros, muitos deles praticados com requintes de crueldade.

Quanto aos terroristas, não podemos deixar de caracterizá-los como marginais. O pior tipo de marginais: os que se marginalizam por vontade própria. Os que procuram disfarçar sua marginalidade sob o rotulo de idealismo político. Os que não hesitaram, pelo exemplo e pelo aliciamento, em lançar na perdição muitos jovens, iludidos, estes sim, na sua ingenuidade ou no seu idealismo.

Desmoralizadas e desarticuladas, as organizações subversivas encontram-se nos estertores da agonia.

Da opinião pública, o terror só recebe repudio. É tão visceralmente contrario às nossas tradições, à nossa formação e à nossa índole, que suas ações são energicamente repelidas pelos brasileiros e por todos quantos vivem neste país.

As ameaças e os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta.

Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve.

E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.

O Brasil de nossos dias é um país que deseja e precisa permanecer em paz, para que possa continuar a progredir. Um país onde o ódio não viceja, nem há condições para que a violência crie raízes.

Um país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da Imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma Imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.

Porque, na verdade, procurando atingir-nos, a subversão visa atingir não apenas este jornal, mas toda a Imprensa deste país, que a desmascara e denuncia seus crimes."

(grifo do autor)

__________________________________

A mídia sempre foi apenas coerente. Democratizar a informação passa basicamente por democratizar a mídia, é necessário apenas cumprir o Capítulo V de nossa Constituição. Os arquivos da ditadura devem ser abertos ao povo, é parte de uma imensa luta.

Para finalizar o presente, o melhor programa de TV para o autor deste texto é o “Provocações”. O Abujamra consegue extrair os vícios e as virtudes do entrevistado com inteligência, requinte e ironia. Esta entrevista que segue com o Mino Carta fala por sinal a respeito da censura aos meios de comunicação durante a ditadura, é uma jóia rara em meio a tanto BBB´s e CQC´s:



Saudações Fraternas

3 comentários:

  1. Tiago, passei aqui pra ver seu texto e gostei demais do que vi!
    Informações precisas e que não chegam aos meros mortais. Um pouco também por culpa de cada um que prefere se informar por globos, folhas e vejas da vida.
    Gostei especialmente do "Provocações". Não tinha tido a oportunidade de ver e foi aqui no seu espaço que pude assistir. Quisera todas as emissoras tivessem programas de tamanha qualidade, como esse! Certamente estaríamos livres dos lixos televisivos como bbb's e cqc's!
    Obrigada por nos apresentar textos tão ricos de informações!
    Um grande beijo e saudações fraternas

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  2. Tem razão a Flávia.
    E eu nem sabia do seu espaço, foi uma agradável surpresa.
    Abraços

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  3. Muito obrigado, Flávia e Jader. É uma alegria imensa receber elogias de vocês. Um forte abraço!

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