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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Messias, o deputado do povo brasileiro

A imagem foi roubada daqui


Um deputado realmente bom como o descrito neste texto provavelmente não existe. Se ele existe, não deve conseguir participar da vida partidária com o estomago imune à gastrite. Se o gastroenterologista for dos bons, não tem milagre que dê jeito, ele vai ter dificuldades em ser eleito. Vamos chamar este personagem de “Messias” e ver o que pode dar.

O Messias seria uma pessoa bastante tolerante e racional, sempre preferindo o diálogo à jogadas e composições nas votações. Ele não agrediria o opositor, mas em mãos carrega desde sempre a sua luva de pelica. O alto clero muito possível o vai manter bastante isolado das querelas de maior importância, não vai aparecer na mídia de maneira oportunista. Caixa dois, atos secretos, nem pensar! Ele não vai aparecer no mainstream, estejamos todos certos disso.

Quando um massacre numa escola ocorrer, Messias não proporia a restrição de liberdade de adolescentes por bullying, nem imaginaria rogar a culpa de tudo no império vermelho comunista árabe; sua conversa não teria palavras como detectores de metais, desarmamento. Além de ter a noção de que o lucro do tráfico ilegal de armas aumenta a crise originada do crime organizado, ele vai defender que a real solução é mudar os paradigmas ideológicos da educação, humanizá-la.

Messias não vai ter todos os assessores que estão a seu dispor, na letra da lei, apenas os indispensáveis. E a bem da verdade contrataria apenas tecnocratas competentes e responsáveis, pois, Messias sente horrores quando vê um lobista ou um plutocrata. O uso de sua verba de gabinete teria tons modestos e comedidos, mais que franciscanos, quem sabe nunca falte nas segundas e nas sextas feiras ao trabalho.

O dito cujo condena todo e qualquer ato contra a humanidade. Não tem boquinha com o Messias se o assunto for abuso de poder econômico ou político. Qualquer ato de assassínio, seqüestro, tortura, desaparecimento, crueldade, lhe causa arrepios. Discriminação de qualquer sorte é um crime mais hediondo do que o tráfico de drogas. Com ele ninguém passa por cima da democracia, nem da constituição.

Ousemos imaginar Messias a economizar nas passagens aéreas, sem fazer do cartão corporativo uma navalha que compre coisas inúteis como pênis de sex-shop. Messias sempre ostenta imenso orgulho de seu povo e de suas tradições; protege os mais fracos e necessitados, obriga os privilegiados desde as capitanias hereditárias à pagar o quinhão devido, um quinhão apenas justo. Uma alíquota de imposto de renda decente, um imposto sobre herança honrado, uma pequena taxa sobre cada um de todos os milionários.

O Messias bem que poderia ter uma religião, qualquer uma. Mas nunca a utilizaria como meio de obter votos, como cidadão teria a conduta de um humanista secular. Na campanha do Messias, seus partidários não recebem dinheiro por sua militância, ninguém paga ou é pago para segurar uma bandeira, nem para vestir uma fantasia ridícula – não existe dízimo obrigatório. Ele nunca estaria se lixando para os seus eleitores, nunca os colocaria “para o sacrifício”. Todos sabem que o Messias não apóia guerras.

Na área da saúde, as grandes empresas e cooperativas de médicos seriam os principais inimigos do Messias. A medicina preventiva e humanizada, de qualidade e gratuita seria um direito humano, simples. E a educação uma possibilidade ilimitada desde São Gonçalo do Amarante, até em Tarauacá. Frisemos: tudo gratuito, universal e de ponta. O bom moço sempre a lembrar das dívidas históricas e raciais, da justiça.

Este político imaginário poderia ter a sua opinião particular sobre o aborto, favorável ou não. Mas o Messias nunca permitiria que apenas pretas, putas e pobres morressem em clínicas vagabundas tomando chá de quebra pedra. A mulher poderia impedir uma gravidez indesejada de maneira humana, pois simplesmente proibir não resolve o problema, o Messias explica que é contra maquilar a situação e a esconder da sala de star da classe média. O Messias seria realmente chocante!

Messias é um chato de galocha útil, mas muito bem espaça a vista na real necessidade da preservação da natureza, em especial o seu projeto de país não degradaria florestas com pastos, o respeito ao índio e comunidades originais seria o visionário e não o anacrônico. Energia limpa, responsabilidade social, palavras comuns e freqüentes na boca do Messias.

O homem do campo, o trabalhador, o aposentado, a pessoa com qualquer partícula essencial seria a sua proximidade, sua substância. Messias acha horroroso quem bate no peito e se diz santo, o Messias humaniza os vestais da ética, os desmascara. Messias caminha entre os descamisados, entre os pobres, os pretos e as putas, entre todos os descriminados.

Bem que os políticos podem ser mesmo todos iguais. Mas se abrirmos os olhos, veremos que uns são mais iguais que os outros. Embora todos ouçam falar que o Messias é um cara legal, embora todos digam o seguir, votar nele (!), Messias provavelmente teria uma péssima experiência, a concorrência com boa parte de nossos deputados a espelhar um verdadeiro apocalipse. Acreditemos todos, demônios existem. Mas sobre anjos e santos, persistamos todos em dúvida.

Os: Weber explica.

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