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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sobre humor, humanismo e palhaços


O mundo em que vivemos é uma grande contradição, muitas vezes os homens ditos civilizados quebram as mais simples regras de caridade. Um dos aspectos mais carentes de humanidade em nossa sociedade plug and play de massas se encontra no humor, algo simples de se ver ao lembrar-nos de casos como as trapalhadas do Rafinha Bastos, ou em quadros lamentáveis zombando de minorias e diferenças, e até apoiando teses misóginas, estupros e racismo. No presente texto não se pretende responder aos ditos “comediantes” nem rebater as suas piadas infames e sem graça, pois muitas pessoas já o fizeram e em melhor tom do que este autor passional que tecla seus cheques sustados. A proposta deste texto é mostrar que o ensejo de fazer comédia não torna justo ser desumano. Deveria ser o contrário, deveríamos rir de nossas particularidades, não ofender os outros...

Neste particular, seria possível lembrar que com bom humor é factível brincar com estereótipos de maneira até irresponsável, o que pode ser espelhado em terras tupiniquins com uns bons momentos de Tião Macalé, Mussum e Chico Anísio. Mas em verdade falta talento para alcançar o brilhantismo de gente como Richard Pryor, Jerry Seinfeld, Leslie Nielsen – só para falar de mortais sem alcançar gênios como Jerry Lewis, Charles Chaplin ou mais recentemente Monty Python. Humor é para gente de muito talento, mexer com o mais delicado e sensível na alma humana não é simples e nem é fácil, tem que ter uma aptidão e uma sensibilidade raras. E os melhores o fazem com sutileza e hombridade, não são cafajestes que brincam sobre estupros.

Pode ser um exagero, mas o melhor filme de humor moderno para o autor deste blog poderia ser “A vida de Brian”, aonde o grupo inglês Monty Python consegue mostrar a Bíblia de uma forma chocante, irônica, com um sarcasmo hilário, trágico, descomunal. Sua grande cena Always look at the bright side of life toca fundo nos limites de nossa hipócrita sociedade. Ocorre que um filme roubou a cena, em razão da coragem e brilho da idealizadora, Coline Serreau, cujo maior sucesso comercial é sua franquia “Três solteirões e um bebê”. Outrossim a obra que se deseja por em tela neste momento se trata do filme La Belle Verte, que em português teve a deprimente tradução de seu título para “A turista espacial”.

Esta obra de arte, escrita, dirigida e protagonizada por Coline Serreau, possui fortes e diversas referências. Passa desde pelo super homem descrito por Nietzsche em “Assim falou Zaratustra”, como pelo direito natural de Hobbes, Locke e Russeau. Questiona todos os sentidos e sentimentos da nossa sociedade industrial moderna.

Neste filme se conta a história de um planeta distante de nossa Terra, emoldurado até por uma estética espírita kardecista aonde seres altamente evoluídos viajariam para diversos planetas com a intenção de ensinar e de aprender, já tendo enviado a nosso cosmos nomes como J. Sebastian Bach ou Jesus Cristo. A protagonista interpretada por Coline Serreau teria poderes místicos de com um simples olhar transmutar todo e qualquer homem da água para o vinho, retirar todas as suas ilusões e apegos, mentiras e contradições mostrando que o Rei está nu, de maneira sutil e tragicômica. A personagem mostra a quem deseja o Deus ex machina que há em cada um, criando revolucionários por onde passa.

Nesta história de redenção a existência é chacoalhada em mergulhos, dilemas morais e éticos, aonde se derrubam muros da espiritualidade, do socialismo, da ecologia, do crudicismo, do racismo, da miséria, do feminismo, da homofobia, religião, com cenas grandiosas.

Recomendamos que a oportunidade de ver esta obra é imperdível, cenas como os neoliberais falando as suas verdades do fundo de seus corações (minuto 53), da grande sinfonia revolucionária (minuto 64), e do maior jogo de futebol de todos os tempos (minuto 76) são cenas grandiloqüentes, cinema como arte, humor como engrandecimento humano. É um filme que não apenas nossos humoristas precisam assistir, tem a ensinar a todos nós humanos.





2 comentários:

  1. Tiago,

    Concordo com o que você e o Mello escreveram sobre o assunto. Deve haver um limite para esse tipo de comédia e a forma mais eficiente de dar um basta nesse humor excessivamente sectarista e discriminatório é valorizar a produção artística que vale a pena.

    Obrigado pela dica dos filmes do Monty Python e da Coline Serreau.

    Abraços,

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  2. Meu irmão, obrigado pela grande dica deste filme edificante.

    Uma abordagem sutilmente engraçada dos nossos paradigmas sócio-culturais, no qual as mentes humanos vivem mergulhadas no mundo de ilusão, no consumismo desenfreado, numa vida totalmente superficial.

    Verdades que nos constrange!

    ass.: Marcelo Freitas

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