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sábado, 4 de junho de 2011

#riogrevedonorte

Originalmente publicado no Diário de Natal, edição de quatro de junho de 20011 

O ano de 2011 mal chegou à sua metade e já ficou marcado na história do globo como o ano das revoluções. Diversos países na África e no Oriente Próximo observam a sua população ir para as ruas com a intenção de varrer do mapa regimes autoritários que já duram há décadas, como na bem sucedida revolução egípcia. No centro dos Estados Unidos estudantes e servidores públicos protestam contra a precarização dos serviços públicos, e na Espanha a juventude acampa nas ruas exigindo o "reset" do sistema. Este vírus parece ter chegado à capital de nosso Rio Grande do Norte, Natal.

Apesar da insatisfação para com a administração pública municipal ser medida em números alarmantes, com a ampla, absoluta e irrestrita reprovação por parte maciça de todas as camadas da população há bastante tempo, o presente momento, em que catorze setores da administração pública estão em greve por melhores condições de trabalho e salários dignos, criou um movimento de massas, apartidário, horizontal, onde não é possível identificar uma liderança; que toma as ruas e grita o caos vivido diariamente para todos, colocando nas ruas o sentimento que muitas vezes se tenta esconder através de peças de publicidade.

O aspecto mais intrigante e interessante, e que conecta o movimento talhado em terras potiguares às revoltas e revoluções que acontecem mundo afora, está na revolução da comunicação que os avanços da tecnologia proporcionam. A facilidade de encontrar pessoas com sentimentos, objetivos, anseios e sedes parecidas funciona como um catalizador do espírito político. O que no passado militantes conseguiam com duras e penosas horas distribuindo panfletos, debatendo em todos os espaços possíveis, se vê facilitado com a possibilidade de enviar um e-mail, twittar uma ideia, participar de um fórum de discursão no Orkut, ou até mesmo convocar um evento e manifestação através do Facebook.

Neste turbilhão de expectativas foi possível observar na quarta-feira, vinte e cinco de maio passado, e nesta quarta-feira, dia primeiro de junho, uma juventude com sede e vontade de lutar por uma mudança real na cidade. E o perfil dos manifestantes não possui qualquer semelhança com o que costumeiramente se observa em eventos políticos. Uma massa de jovens, estudantes universitários, secundaristas, trabalhadores, que prova que o discurso que roga a morte das ideologias não passa de um blasé de quem falta com a atenção para a realidade.

Entre tantos rostos e tribos diferentes que estevam nas ruas, pôde-se notar patricinhas com os rostos pintados contrastando com seus sapatos de salto lado a lado pelo impeachment junto a anarquistas, membros das juventudes de partidos de direita e de centro-direita lado a lado com jovens militantes da esquerda, monarquistas, apartidários e anti-partidários nas mesmas trincheiras na luta com unidade contra o mesmo inimigo, as administrações municipal e estadual. 

A questão central deste belo movimento que se propõe a mudar o mundo é que a caça pelo estabelecimento de processo de impeachment é, além de uma tarefa árdua, apenas o primeiro passo para modificar a maneira que os administradores públicos enxergam a coisa pública e a função do Estado dentro da sociedade. Todos os políticos que ocupam a linha sucessória em caso de impeachment são companheiros e partidários da política menos popular do planeta. 

Assim, é importante que todos os cidadãos se interessem e participem da vida política em todas as suas instâncias, o que possui como pré-requisito apenas a vontade de fazer as práticas políticas serem mais honestas, justas e dignas. E este interesse em retirar do poder aquele que não faz jus ao cargo que ocupa não deve manter distância da análise de como foi possível um grupo político com preparo tão questionável ocupar a prefeitura de nossa cidade.

Em arremate, é imperioso que nos lembremos de todos os aliados e ex-aliados deste grupo político. Como e com apoio de quem a atual prefeita ocupou o cargo de vice-prefeita em outra gestão, quem estava a seu lado nos momentosem que esta foi eleita Deputada Estadual e Prefeita são perguntas elementares. A sabedoria popular é irrefutável, e a sentença "diga-me com quem andas, e direi quem és" explica didaticamente como o caos se instalou em nossa amada capitania hereditária. 

2 comentários:

  1. Pois é Tiago.

    Penso muito nisso. Se ao menos tivessemos metade da câmara de vereadores, fiscalizando o executivo, estaríamos com nossos problemas resolvidos. Mas vc percebeu quanto é difícil compormos essa metade.
    Abraço

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  2. Creio que vivemos tempos interessantes. Se o povo tiver coragem e utilizar as ferramentas que dispõe, até mesmo sem a maioria consegue fazer valer a sua vontade. A esperança é forte.

    Saudações fraternas, obrigado pela visita e pelo comentário.

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