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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sobre meio ambiente e religiosidade




Ao viver em uma era em que o mundo se transforma de modo radical às vistas de todos, algumas perguntas intrigantes merecem ser feitas: Qual o lugar do homem neste mundo, em sua casa? Qual a responsabilidade de cada um de nós em face a catástrofes naturais e humanas como o tsunami em Fukushima, ou mesmo obras faraônicas no Xingu? Qual o papel da política e da religião em um universo em que a vida e o amor são referentes e relativizados?

Com efeito, o homem percebe na modernidade novos mitos e criações que culpabilizam e simplificam problemas intrínsecos ao homem e ao ser. As perguntas efetuadas recebem respostas que não condizem com qualquer solução, como um modo de manipulação midiática que esconde os reais problemas e aliviam as dores. Ao aquecimento global há a hora do planeta, para a poluição de águas deve-se limitar o tempo de banho. Os problemas reais são individualizados e retirados da esfera da coletividade, as propostas de pequenas ações que mudam o mundo dão o alento do dever cumprido como um pai nosso em momento de angustia. A raiz do problema é transportada para o ser apático e impotente, cada um de nós.

Neste particular, a política possui a natural característica do véu que encobre, da miragem que seduz, do destino inadiável, sem remédio. A proposta messiânica do político com o script de salvar o planeta, dele mesmo e dos homens, é a resposta. O discurso politicamente correto de preservar mundos intocados contrasta com a miséria e a exploração, e as soluções para estes problemas estão em cortar na própria carne, tanto deste leitor visitante quanto do autor deste blog, da população. Compremos todos produtos orgânicos, biodegradáveis, ecologicamente corretos. Os produtos ecologicamente corretos, mais caros e menos acessíveis, são restritos a poucos - ao pobre restam litros de agrotóxicos, um sistema excludente e sem alternativas. A saúde nas relações de consumo é apenas um detalhe, ou um problema dos miseráveis.

A tarefa de mudar o mundo, de dar aos desamparados o acesso a itens e bens que estes nunca tiveram acesso é um acinte à preservação do meio ambiente. Um miserável ter acesso a algo ou mesmo um abastado não possuir mais acesso a privilégios são as faces de uma mesma moeda, com a característica oculta de que produzir para muitos destrói mais a natureza do que produzir para alguns privilegiados, a diferença é a amplitude do benefício, produzir para poucos destrói em igual sentido, mas o benefício é, para poucos.

A questão elementar é se distribuir a renda vale a pena, mesmo às custas do meio ambiente. Ou se para preservar a natureza, a miséria e os miseráveis, os excluídos da sociedade e do consumo devem permanecer intocados em suas tabas.

Slavoj Žižek é um filósofo esloveno, brilhante, que inquieta e ataca a demagogia na questão ambiental. Prestemos atenção ao vídeo que segue, lembrando sempre que a caixa de comentários deste blog está sempre aberta para discursões e xingamentos.



9 comentários:

  1. Zizek tá deitando e rolando em cima do prestígio. Parece Tom Zé: mistura uma performance exótica com um bocado de idéias desconexas. Sim, claro, a natureza é uma catástrofe porque nós usamos petróleo, e imagine as catástrofes que criaram o petróleo! A alternativa é criar um materialismo abstrado, poético e amoroso, quem diria não? É por causa desse tipo de brilhantismo que a "área de humanas" não é levada à sério.

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  2. A questão que seu comentário não atacou é o cerne: O ambientalismo é instrumentalizado como mecanismo de convencimento político? desvirtuado?

    A candidatura de Al Gore bebeu desta fonte? A de Marina da Silva, basicamente evangélica e ecologista, tal e qual a de Micarla de Sousa, beberam desta fonte?

    O ecologismo de David Cameron (Avatar), é mecanismo de propaganda holística? SWU e outros festivais o são? A ecologia é um instrumento de marketing?

    Enfim, os Partidos Verdes mundo afora, dentro do contexto neoliberal tanto na Europa quanto no Brasil manifesta conservadorismo?

    Enfim, a "área de humanas" não é levada a sério por quem, meu caro amigo?

    Saudações fraternas! ;-)

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  3. David Cameron é diferente de James Cameron, que é diferente de Marina, que é diferente de Micarla. E o PV brasileiro é diferente dos demais PVs mundo afora. E todos eles instrumentalizam para convencimento político tanto o tema de meio ambiente como qualquer outra construção discursiva, porque são entes políticos e discursivos... É isso que eles fazem. Conservadorismo ou não a gente vê caso a caso, e não por generalização.

    Zizek fala do assunto na base de enrolação, se meu caro amigo tiver interesse em autores que falam de meio ambiente e ideologia de uma forma séria tem Gustavo Lins Ribeiro, José Sérgio Leite Lopes, Mauro Almeida, Eduardo Viola e Keith Thomas. E mais algumas centenas, esse tema é bem batido!

    Agora esse vídeo é um cheque sustado, visse.

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  4. Seu Augusto! ;-)

    David Cameron é diferente de James Cameron realmente...

    Correções à parte, desculpe a pressa...

    Você pode não gostar de Zizek, e é apens uma mensagem em 10 minutos, não é um tratado, um livro. Tenha calma! =-)

    Há quem goste, quem veja algum sentido, que goste de sua abordagem.

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  5. Não gostei do vídeo. Nada contra Zizek, ele é um excelente ator. Mas a direção e o roteiro do filme estavam bem fraquinhos.

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  6. Pois bem Guru, fica o desafio. Tenho uma camera HD, te dou 10 minutos para deixar um recado em vídeo. Publico aqui no blog.

    ;)

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  7. Olha tu, crente que vou distribuir minha imagem de grátis porae!

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  8. As questões são duas e são simples...

    Você pelegou?

    Ou você estava me trollando para variar? ;)

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