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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Educação digital

originalmente publicado no Diário de Natal, 29/08/2012

Cada vez mais a internet alcança espaços e transforma a nossa sociedade. As atividades bancárias, hoje informatizadas, ganharam agilidade e uma dinâmica que extinguiu o uso dos cheques. A informação ganhou uma dinâmica em que os meios de comunicação se fazem atentos às notícias comentadas nas redes e mídias sociais, certas vezes até apurando pautas colhidas a partir destes novos meios de comunicação. Mas a verdadeira transformação há de acontecer na educação. Nos idos da década de 1980, o visionário cientista Isaac Asimov previu uma revolução na educação com a popularização da cibernética, defendia que assim como a televisão, numa era passada item restrito a poucas famílias abastadas, os computadores viriam a ser artigos de uso pessoal, difundidos entre todas as camadas sociais.

Se hoje em dia não há universalidade de acesso à internet, é realidade no Brasil existir mais celulares que habitantes, segundo a ANATEL (Agencia Nacional de Telecomunicações). Com o desenvolvimento da tecnologia móvel e das redes 3G, a ampliação do acesso às redes e mídias sócias, a repercussão cada vez maior em todas as camadas sociais se aprofunda e é caminho sem volta. Com a popularização dos trablets e dos smart fones, a era da convergência na comunicação se firma com o compartilhamento de textos, fotos e vídeos em tempo real, de modo colaborativo. Neste particular, surge vozes que clamam por um controle sobre os dados e sobre as informações na WEB, forças que não abrem mão do controle ao acesso à informação. Justificam o controle pela violação de direitos autorais, pela necessidade de coibir atos ilícitos propagados pela grande teia.

Destarte, uma grande comunidade, que não obedece qualquer fronteira geográfica, defende que a liberdade de compartilhamento de informações é uma questão análoga a multiplicação dos peixes, ao milagre bíblico efetuado por Jesus. Afirma-se que sem custos reais pessoas carentes teriam acesso à cultura, informações, documentos educacionais, antes restritos apenas a poucos privilegiados. Igualmente se argumenta que fotógrafos, grupos artísticos, musicais, tem com a liberdade na rede um canal ímpar para alcançar admiradores e firmar um trabalho, antes algo impossível pelos gargalos das indústrias editoriais e musicais. 

O grande salto, entretanto, é a possibilidade de se destruir o mito de que estudar é ruim, que se deve concluir os cursos, parar de aprender, ser finalmente adulto - Como se a maior graça do viver não fosse o constante aprendizado. A convergência e a internet 2.0. colocam o construtivismo como aspecto central da invenção e da educação, com a colaboração entre docentes e discentes de modo que cultura e conhecimento se alicercem em múltiplas plataformas e grupos de pesquisa.

O livre acesso à informação pode quebrar a estrutura de educação bancária, onde se deposita a informação e se cobra a repetição. É possível que um amante do futebol se interesse pela curva que a bola faz após um chute, e venhaa procurar saber um pouco sobre física para explicar a trajetória da bola. Existe na grande rede desde cursos online gratuitos, até mesmo redes e mídias sociais específicas para a educação. Usar a internet de maneira apropriada é permitir que haja a educação em uma escala de um para um, pondo o estudante com acesso infinito ao seu objeto de interesse, com acesso a obras localizadas em museus a milhares de quilômetros de distância, tornando possível ao internauta ter a sua frente todo o conteúdo das maiores bibliotecas do mundo.

Por fim, o livre acesso às informações é o maior meio de emancipação social, é a possibilidade de uma pessoa humilde competir em igual condição com um aluno de uma boa escola privada. A democratização da internet, conjugada com a democratização das informações é uma revolução possível, que modificaria toda a sociedade, e sem derramar nenhuma gota de sangue. Resta a dúvida se quem é contra esta liberdade, esta revolução, não compreende os benefícios que ela traria não apenas aos outros,mas também para si, ou se há o desejo da manutenção da desigualdade social e da hierarquia. 

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