diHITT - Notícias Cheque Sustado: Os candidatos passam, mas as promessas ficam

Postagens populares

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os candidatos passam, mas as promessas ficam


Quase trinta anos após o fim da ditadura militar e retorno das eleições, problemas antigos e aparentemente sem solução continuam a atormentar o dia a dia da população natalense, como melhorias na saúde, educação, moradia, trânsito e mobilidade urbana, que ainda não saíram da agenda dos candidatos.
Há exatos 27 anos, a eleição foi vencida por Garibaldi Alves Filho e seu vice Roberto Furtado. Melhorar a educação, a saúde, ouvir a população, acabar com o isolamento da zona norte da cidade, efetuar um planejamento urbano que abarcasse todas as zonas da cidade, prestar um serviço público universal para a população, foram as promessas, e são até hoje.

Nas áreas da saúde, a manutenção dos leitos cria uma superlotação enquanto a população cresce de modo constante. A educação pública não ultrapassa as barreiras da educação bancária, onde apenas se deposita o saber e o estudante aprende a repetir. Ocorre que a indignação das pessoas, no momento, se espelha naquelas que vão às ruas protestar contra o aumento das tarifas do transporte público.

Ao se debruçar sobre a questão do planejamento e da mobilidade urbana, vive-se um caos que tende certamente a ser cada dia maior. A falta de investimentos e de prioridade do poder público cria gargalos nas ruas e avenidas, um imenso prejuízo tanto para o empresário, que sofre com a logística, quanto para os trabalhadores, com dificuldades de ir e vir ao trabalho, de usufruir das possibilidades de lazer que a cidade oferece.

Engarrafamentos nas avenidas Salgado Filho, Bernardo Vieira, Thomaz Landim, Estrada da Redinha e Engenheiro Roberto Freire, fazem parte do dia a dia de todos os habitantes, e, diga-se de passagem, as ferramentas para contornar tal situação acabam como obra do descaso das diversas gestões municipais, que pouco ou nada fizeram para ampliar a mobilidade urbana.

É miragem, ainda, a inclusão de uma rede de metrô de superfície em Natal, mesmo esta obra estando inclusa no PAC 2. Trata-se de uma obra compartilhada entre os Governos do Estado e do Município que beneficiaria toda a região metropolitana, com revitalização, reforma, e adaptação do trecho da linha férrea Ribeira-Extremoz e implantação de veículos leves sobre trilhos (VLT).

O projeto da Via Expressa, que se propõe a desafogar o trânsito em várias avenidas, ligando a Zona Norte da cidade até a Zona Sul, abriga quatro viadutos, um túnel, um terminal de integração, uma estação de integração (CBTU), ciclovias, ciclo-faixas, para-ciclos e bicicletários. A primeira vista uma excelente obra, mas que se contradiz ao passo em que a população não foi devidamente consultada, que para ser realizada obriga a realização de desapropriações sem critérios claros, e que foca o transporte individual de passageiros.

Outro projeto, o Pró-Transporte, está completamente estagnado, apesar da urgência de construção de passarelas na avenida Thomaz Landim, estações de transferências, e das duplicações das avenidas das Fronteiras, Tocantinea e Rio Doce, além da construção de corredores de ônibus.

O maior problema, destarte, se encontra na carência que a população enfrenta em face do transporte que hoje existe – ela não vive de promessas. A pouca disponibilidade de linhas de transporte coletivo, a pouca abrangência de áreas e os reduzidos horários de atendimento, são reclamações diárias dos usuários do transporte público.

Em cidades com planejamento urbano desenvolvido, o cidadão prefere, por economia e conveniência, muitas vezes utilizar do transporte público, como em Londres ou Nova York. Sem necessário ir muito longe, em São Paulo existe o bilhete único, permitindo às pessoas economizar ao utilizar várias linhas de ônibus com um único bilhete e, hoje em dia já há a proposta do bilhete único mensal, permitindo ao passageiro que adquira tal benefício utilizar da rede pública de transportes sempre que necessário.

A triste realidade potiguar é que nos últimos 27 anos a sua voz é muito pouco ouvida por seus governantes. Apesar do sistema de transportes ser público, uma concessão do Estado para a iniciativa privada, aparenta que na verdade as grandes empresas mantém os governos como reféns, patrocinando as candidaturas que lhe são favoráveis, elevando as tarifas do serviço público sem necessitar sequer justificar a relação entre os custos e os lucros. Nesta tragédia, o que resta às pessoas é exigir aquilo que lhe é de direito, aquilo que é público. Resta saber se quem deve exigir acredita que pode obter aquilo que lhe pertence.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Compartilhe

Leia Mais

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...